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  • Antonio Perez Balarezo

La parole du directeur de la MFBP: Prof. Eric Boëda

Mis à jour : avr. 5

Plus bas, traduction portugaise par Marcellus Almeida.

Abaixo, tradução para o português de Marcellus Almeida.


La préhistoire américaine dans son ensemble est actuellement celle qui est la plus controversée mais aussi, d’une certaine façon, la plus en mouvement(s) avec les débats d’idées sur la question des premiers peuplements. D’un côté, il y a les partisans d’une chronologie courte, qui varie selon les découvertes entre 13,000 ans et 15,000 ans, et de l’autre, il y a les partisans d’une occupation bien plus ancienne, portés par leurs données qui les conduisent à accepter l’évidence des faits. Cette ancienneté selon les sous-continents peut aller jusqu’à 120,000 ans pour le l’Amérique du Nord et au moins 40,000 ans pour l’Amérique du Sud. Nous pourrions développer l’historiographie des courants idéologiques s’appuyant, entre autre, sur le phénomène de « Clovis first », mais il nous a semblé plus

intéressant de questionner la spécificité épistémologique de chacun de ces deux groupes.

Ma carrière m’a amené à travailler sur la quasi-totalité des continents, toutes périodes

confondues. Ma spécialité m’a amené à devenir un expert en technologie lithique, doublé d’une expertise expérimentale, auxquelles j’ai associé une épistémologie pratique sans cesse renouvelée à la faveur de mes différents terrains.


« Équivocité et univocité resterons les maîtres mots de mon épistémologie de la lecture et de l’interprétation des comportements techniques passés via les outils de pierre taillée. »

Du fait de ces connaissances accumulées sur plus de quarante années de carrière, à analyser des cailloux provenant de diverses collections de par le monde ou provenant de mes propres fouilles, j’ai été particulièrement étonné de voir qu’un même objet ou un ensemble d’objets pouvai(en)t changer de statut d’un continent à l’autre sans le moindre argumentaire, sans la moindre justification scientifique : artefact en un lieu, objet naturel en un autre. Cette remarque peut éventuellement s’appliquer lorsqu’il s’agit d’un artefact unique, incongru, isolé ; mais lorsqu’il s’agit d’artefacts classiques, banals comme ceux du continent asiatique, il est difficilement compréhensible pour un esprit cartésien de voir ce même artefact perdre son statut anthropique, son unicité pour devenir un objet naturel sans argumentaire. Équivocité et univocité resterons les maîtres mots de mon épistémologie de la lecture et de l’interprétation des comportements techniques passés via les outils de

pierre taillée.

Force est de constater que la quasi-totalité des partisans d’une ancienneté américaine

rassemblent des chercheurs de terrain qui, confrontés à la réalité des faits, à la fouille, ont validé leurs interprétations après de très nombreux examens et vérifications empiriques. A l’inverse, les contradicteurs sont en général des chercheurs qui sont rarement des gens de terrain c’est-à-dire qui n’ont jamais eu la chance (ou la malchance ?) de fouiller ce genre de site, et de se retrouver confronté aux faits archéologiques. Et, pire encore, en étant non-technologues, ces personnes faillissent à la faculté demandée pour diagnostiquer objectivement le matériel exhumé. Il n’y aurait alors plus de faits discutés, mais seulement des interprétations et des jugements de valeur sans fondement scientifique sur le sujet extrêmement sérieux des origines ! Les données matérielles de la préhistoire ne pourraient donc plus inférer une corporéité, une socialité, une technicité, une intersubjectivité et une intentionnalité propres à nos ancêtres !

Eric Boëda

Directeur de la Mission Franco-Brésilienne du Piauí


A palavra do diretor do MFBP: Prof. Eric Boëda


A pré-história americana, no seu conjunto, é atualmente a mais controversa, mas também, de certa forma, a mais movimentada nos debates de ideias sobre a questão dos primeiros povoamentos. De um lado, existem os partidários de uma cronologia curta, que varia de acordo com as descobertas entre 13.000 e 15.000 anos, e de outro, há os partidários de uma ocupação muito mais antiga, movidos por seus dados que os levam a aceitar as evidências. Essa antiguidade, de acordo com os subcontinentes, pode ir até 120.000 anos na América do Norte e pelo menos até 40.000 anos na América do Sul. Poderíamos desenvolver a historiografia das correntes ideológicas baseadas, entre outras coisas, no fenômeno "Clovis-First", mas nos pareceu mais interessante questionar a especificidade epistemológica de cada um desses dois grupos.

Minha carreira me levou a trabalhar em quase todos os continentes, todos os períodos combinados. Minha especialidade me levou a me tornar um especialista em tecnologia lítica, juntamente com conhecimentos experimentais, aos quais associei uma epistemologia prática constantemente renovada, graças a meus diferentes trabalhos de campo.


« Equivocidade e univocidade permanecerão as palavras-chave da minha epistemologia de leitura e interpretação dos comportamentos técnicos passados ​​através dos instrumentos de pedra lascada. »

Devido a esses conhecimentos acumulados ao longo de mais de quarenta anos de carreira, analisando artefatos provenientes de várias coleções ao redor do mundo ou provenientes de minhas próprias escavações, fiquei particularmente surpreso ao ver que o mesmo objeto, ou conjunto de objetos, podia(m) mudar de status de um continente para outro sem o menor argumento, sem a menor justificativa científica: artefato em um lugar, objeto natural em outro. Essa observação pode ser aplicada quando se trata de um artefato único, incongruente e isolado; mas quando se trata de artefatos clássicos, banais como os do continente asiático, é dificilmente compreensível para um espírito cartesiano ver esse mesmo artefato perder seu status antrópico, sua singularidade, para se tornar um objeto natural sem nenhuma argumentação. Equivocidade e univocidade permanecerão as palavras-chave da minha epistemologia de leitura e interpretação dos comportamentos técnicos passados ​​através dos instrumentos de pedra lascada.

É forçoso constatar que a quase totalidade dos partidários de uma antiguidade americana reúnem pesquisadores de campo que, confrontados com a realidade dos fatos, com a escavação, validaram suas interpretações após muitos exames e verificações empíricas. Por outro lado, os oponentes são em geral pesquisadores que raramente trabalham em campo, ou seja, que nunca tiveram a sorte (ou azar?) de escavar nesse tipo de site e encontrar-se confrontado com fatos arqueológicos. E, pior ainda, não sendo tecnólogos, essas pessoas não conseguem diagnosticar objetivamente o material exumado. Não haveria, portanto, mais fatos discutidos, mas apenas interpretações e julgamentos de valor sem fundamentação científica sobre o assunto extremamente sério: as origens humanas na América! Os dados materiais da pré-história não poderiam mais inferir uma corporalidade, uma socialidade, uma tecnicidade, uma intersubjetividade e uma intencionalidade específicas aos nossos antepassados!

Eric Boëda

Diretor da Missão Franco-Brasileira do Piauí

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Sítio do Mocó, Coronel José Dias - Piauí, 64770-000, Brasil

©2020 par Mission Franco-Brésilienne du Piauí

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